segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nas Termas sem termos...


Já há alguns anos que aproveito o período de férias passado em Monchique para fazer tratamento nas termas. No inverno costumo ter alguns incómodos a nível da respiração e algumas inalações feitas no verão, tornam mais fáceis as coisas assim que o frio chega.
Este ano, como é habitual, fui primeiro ao médico para me prescrever os tratamentos, e também como habitualmente, receitou-me 14 irrigações nasais,  igual número de nebulizações e aerossóis sónicos.
A irrigação nasal consiste na introdução lenta de 1 litro de água em cada narina; o paciente introduz um tubo numa narina e deixa a água termal, depois de correr pelos entrefolhos craneanos, sair pela outra narina. Esgotado a primeira litrada, introduz-se o tubo na narina contrária e repete-se o processo que dura no total cerca de 10 minutos.
Para a nebulização é preciso uma espécie de funil  largo onde se introduz parte da cara, incluindo boca e nariz. O funil é colocado sobre um anel de suporte e pela abertura inferior, mais pequena, entra uma espécie de repuxo que vai borrifando a cara do cidadão, enquanto este respira fundamente pelo nariz e expira pela boca.
Já para o aerossol sónico é preciso um funil mais pequeno que se encaixa na abertura menor do primeiro funil, e de uma mangueira que saindo da abertura menor do funil pequeno vai ligar à saída de  um tubo que está na parede. Junto à saída deste tubo está um etiqueta  escrita em francês onde se pode ler: Aerossol Thermal – Stérilisation - U. V.
 A primeira vez que utilizei este equipamento, confesso que perpassou por mim uma onda de esperança, mas assim que ligaram o aparelho fiquei  desolado. Depois de tanta água que já tinha metido, pensei que ia ser redimido do sacrifício e li a etiqueta assim : Aerossol Thermal – Stérilization – Unité Vinicole.
Mas, adiante… Do tal tubo sai um fuminho que presumo ser de vapor de água. Periodicamente aquilo começa a vibrar, o fumo torna-se mais intenso e é aqui que tenho de respirar profundamente para limpar as vias respiratórias. Já tenho pensado que há por aí «roupa» que não desdenharia  de tal tratamento, se embrulhados nestes fuminhos viessem uns vapores de haxe ou coca.
Mas desta vez não foi só isto. O clínico depois de me examinar atentamente, talvez porque me encontrasse sujo, resolveu prescrever-me 7 duches de jacto. O cidadão é colocado nú, só com os calçanitos de banho, de encontro a uma parede, como se fosse tirar o retrato para a Polícia. Aí a 3 metros está uma terapeuta que, de mangueira em punho,  nos vai bombardeando  com fortes jactos de água, pela frente, de lado e por trás. No primeiro dia fiquei a ver escorrer o sarro que já trazia agarrado ao corpo há mais de dez anos, enquanto ia pensando nas voltas que a vida dá. Sempre  escapei quase milagrosamente ao carro da água nas manifestações de antes do 25 de Abril, e agora vinha submeter-me voluntariamente a estas mangueiradas… A verdade é que até me tem sabido bem…
Pronto, não sei porque é que estou aqui a escrever estas coisas, mas dada a pasmaceira aqui em Monchique, deu-me para estas afaganosidades.

1 comentário:

Zi disse...

Então assim sendo, lavadinho e decapadinho, estás pronto para seres pintadinho de novo...Pensa bem antes de escolher a nova cor...