Já há alguns anos que aproveito o período de férias passado
em Monchique para fazer tratamento nas termas. No inverno costumo ter alguns
incómodos a nível da respiração e algumas inalações feitas no verão, tornam
mais fáceis as coisas assim que o frio chega.
Este ano, como é habitual, fui primeiro ao médico para me
prescrever os tratamentos, e também como habitualmente, receitou-me 14
irrigações nasais, igual número de
nebulizações e aerossóis sónicos.
A irrigação nasal consiste na introdução lenta de 1 litro de
água em cada narina; o paciente introduz um tubo numa narina e deixa a água
termal, depois de correr pelos entrefolhos craneanos, sair pela outra narina.
Esgotado a primeira litrada, introduz-se o tubo na narina contrária e repete-se
o processo que dura no total cerca de 10 minutos.
Para a nebulização é preciso uma espécie de funil largo onde se introduz parte da cara,
incluindo boca e nariz. O funil é colocado sobre um anel de suporte e pela
abertura inferior, mais pequena, entra uma espécie de repuxo que vai borrifando
a cara do cidadão, enquanto este respira fundamente pelo nariz e expira pela
boca.
Já para o aerossol sónico é preciso um funil mais pequeno
que se encaixa na abertura menor do primeiro funil, e de uma mangueira que
saindo da abertura menor do funil pequeno vai ligar à saída de um tubo que está na parede. Junto à saída
deste tubo está um etiqueta escrita em
francês onde se pode ler: Aerossol Thermal – Stérilisation - U. V.
A primeira vez que
utilizei este equipamento, confesso que perpassou por mim uma onda de esperança,
mas assim que ligaram o aparelho fiquei
desolado. Depois de tanta água que já tinha metido, pensei que ia ser
redimido do sacrifício e li a etiqueta assim : Aerossol Thermal – Stérilization
– Unité Vinicole.
Mas, adiante… Do tal tubo sai um fuminho que presumo ser de
vapor de água. Periodicamente aquilo começa a vibrar, o fumo torna-se mais
intenso e é aqui que tenho de respirar profundamente para limpar as vias
respiratórias. Já tenho pensado que há por aí «roupa» que não desdenharia de tal tratamento, se embrulhados nestes
fuminhos viessem uns vapores de haxe ou coca.
Mas desta vez não foi só isto. O clínico depois de me
examinar atentamente, talvez porque me encontrasse sujo, resolveu prescrever-me
7 duches de jacto. O cidadão é colocado nú, só com os calçanitos de banho, de
encontro a uma parede, como se fosse tirar o retrato para a Polícia. Aí a 3
metros está uma terapeuta que, de mangueira em punho, nos vai bombardeando com fortes jactos de água, pela frente, de
lado e por trás. No primeiro dia fiquei a ver escorrer o sarro que já trazia
agarrado ao corpo há mais de dez anos, enquanto ia pensando nas voltas que a
vida dá. Sempre escapei quase
milagrosamente ao carro da água nas manifestações de antes do 25 de Abril, e
agora vinha submeter-me voluntariamente a estas mangueiradas… A verdade é que
até me tem sabido bem…
Pronto, não sei porque é que estou aqui a escrever estas
coisas, mas dada a pasmaceira aqui em Monchique, deu-me para estas
afaganosidades.

1 comentário:
Então assim sendo, lavadinho e decapadinho, estás pronto para seres pintadinho de novo...Pensa bem antes de escolher a nova cor...
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