Realizou-se no passado dia 13 um encontro dos Antigos Alunos do Colégio de Santa Catarina, em Monchique. Para além dos membros da organização, do cronista e da esposa, compareceu cerca de uma centena de velhinhos de ambos os sexos que, ainda assim, se encontram em melhor estado que a fachada do Colégio reproduzida na foto acima.
Do convívio constava uma missa, uma romagem ao cemitério e o sempre apetecido almoço. A missa foi celebrado pelo padre Domingos acolitado por um outro sacerdote com voz trovejada de barítono, cuja figura mais lembrava um negociante de secos e molhados. Haviam de ver o gesto enérgico com que ele limpava o cálice das hóstias, capaz de fazer corar de vergonha a mais expedita e higiénica dona de casa.
Já o padre Domingos, que também compareceu ao almoço, tinha um ar delicado, voz macia e sorriso simpático. Nada a apontar, não fora o insólito de ver um Domingos a celebrar missa ao Sábado.
À entrado do restaurante ficou depositado um Himalaia de bengalas que daria para cozer uma fornada de pão, se queimadas no respectivo forno. Por cima das mesas os comprimidos para a tensão, próstata, diabetes, etc., fariam funcionar uma farmácia durante uma semana.
Como o cronista não fazia parte daquela guerra, ficou sentado no seu canto observando o ambiente. Assim, foi com surpresa que tomou conhecimento de que uma senhora de porte esguio e cabeleira branca vestida com um rutilante vestido vermelho com ramagens a preto, tinha sido uma implacável professora. Chamavam-lhe a “Chica do Farelo”, mas pelos vistos os alunos com ela não faziam farinha.
Também havia um João Vila que lhe fez lembrara os tempo da “Amadora a cidade: já!”. E tantos outros, a quem a esposa do cronista, num esforço de arqueólogo, tentava reconstruir o rosto de há cinquenta anos atrás.
Apesar das maleitas, todos atacaram animadamente o Bacalhau à Monchique, a Assadura, o Bolo de Tacho, a Salada de Frutas. Ninguém recusou o Mosquitinho de Medronho ou de Melosa a acompanhar o cafézinho.
Mataram-se saudades, relembraram-se histórias antigas, trocaram-se contactos e despediram-se até para o ano.
A tudo o cronista assistiu e aqui dá conta, pedindo desculpa por algum involuntário exagero no relato acima que faz de boa fé .

1 comentário:
Malidicência quanto baste.
Paletes de invejinha com ou sem bengala cujo cronista revela, e mais, o que não daria ele poder estar aonde quer que fosse, com menos 50 anos. Ha,Ha,Ha
Tenho dito.
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