
Arcos do Jardim
Dá-se este nome ao Aqueduto de S.Sebastião, construído pelo engenheiro italiano Filipe Terzio no reinado de D. Sebastião, que servia para abastecer de água a parte alta da cidade de Coimbra. Situa-se junto ao Jardim Botânico, bem próximo da Universidade, e é constituído por 21 arcos, sendo o seu Arco de Honra construído em pedra de cantaria e ostentando no topo um conjunto de duas esculturas, do lado Sul S.Sebastião e do lado Norte S.Roque.
Dá-se este nome ao Aqueduto de S.Sebastião, construído pelo engenheiro italiano Filipe Terzio no reinado de D. Sebastião, que servia para abastecer de água a parte alta da cidade de Coimbra. Situa-se junto ao Jardim Botânico, bem próximo da Universidade, e é constituído por 21 arcos, sendo o seu Arco de Honra construído em pedra de cantaria e ostentando no topo um conjunto de duas esculturas, do lado Sul S.Sebastião e do lado Norte S.Roque.
Por aqueles arcos têm passado muitas gerações de estudantes a caminho da Universidade, transportando os sonhos, ilusões e angustias, próprios da juventude. Por ali passam também os namorados que vão até ao Botânico passear, estudar botânica e outros ciências, mais os «marrões» que gostam de estudar alto e ao ar livre.
Em tempos houve naquela zona a célebre Leitaria Académica do Joaquim «Pirata», mata fome de muitos estudantes menos abonados, que tinha um livro de calotes de proporções bíblicas. O que valia ao pobre «Pirata» é que muitos, depois dos cursos tirados e orientados na vida, não esqueciam quem lhes tinha valido na hora do aperto e voltavam lá para saldar as dívidas acrescidas, muitas das vezes, com generosos juros.
A todas estas movimentações assistem ainda hoje, do alto do seu pedestal, S.Sebastião e S.Roque. Este, virado para o Jardim, com a visão meio cortada pelo arvoredo, lá vai espreitando por entre a folhagem, abençoando os estudiosos e virando a cara às «intimidades». Já S.Sebastião, com vista desafrontada para o largo fronteiro, estende o olhar rua Alexandre Herculano abaixo até à Praça da República. E as aflições que ele passa com aquilo que vê !...
Há bastante anos, penso que por altura da guerra, a juventude estudantil passava um mau bocado. Havia pouco que comer, o que havia era caro, os lentes não facilitavam nas aulas, o dinheiro escasseava nos bolsos e o futuro apresentava-se sombrio. S.Sebastião a tudo assistia dando o devido valor aos problemas daqueles jovens, uma vez que, por sua vez, também tinha pertencido a uma «geração à rasca» como bem atestava o seu peito cravado de setas de prata.
Se o Santo se preocupava com os estudantes, também estes, a dada altura, como o sofrimento aproxima os infelizes, deram em se preocupar com o Santo, lamentando o seu abandono ali no alto daquele arco, exposto à inclemência do tempo, num sofrimento atroz. Por isso, com a generosidade própria da juventude, começaram a congeminar uma solução que pudesse aliviá-Lo na sua dor. Foi assim que uma noite, equipados com uma longa escada de mão, subiram até ao topo do arco e aliviaram o padecimento do Mártir, arrancando-lhe todas as setas e deixando um cartaz com a justificação dos seus actos onde se lia “Basta de tanto sofrer”.
Foi uma solução a contento de ambas as partes; O Santo ficou mais aliviado nas suas dores e o estudantes depois de uma visita ao prego, ficaram mais aliviados nas suas dívidas.
«Desenrascaram-se», digo eu.
«Desenrascaram-se», digo eu.
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