O convívio com o sexo feminino era rigorosamente controlado, e os bailes estavam calendarizadas para a passagem do Ano, Carnaval, festas de Verão e pouco mais. Por isso, o resto do programa de domingo era dominado pelo futebol, quando havia, e esgotava-se, por vezes, com uma sessão de cinema.
Começava a surgir então uma certa abertura em relação à liberdade das raparigas e o grupo de jovens em que me integrava conseguiu realizar alguns bailaricos nas tardes de sábado ou domingo. O gravador de fita magnética, maravilha da técnica que tinha aparecido entretanto, brilhava nessas festas e acompanhávamo-nos em muitas outras ocasiões. As reuniões da rapaziada decorriam normalmente com muita conversa, um petisco e uns copos de vinho (às vezes muitos…). De quando em vez aparecia uma viola, um bandolim, uma guitarra, soltava-se a voz e a música acontecia. Lá estava o gravador para registar o acontecido.
A 3 de Dezembro de 1962, fez agora 48 anos, decorreu um desses convívios que nunca mais se esvaiu da memória daqueles que nele participaram. Alguns já nos deixaram, mas posso afirmar que até ao fim nunca se desfez a amizade entre todos.
O primo Abel fazia os seus 27 anos e convidou-nos a todos para uma bacalhoada na sua adega. Comeu-se e bebeu-se de acordo com a estatura do homenageado, a animação regeu-se pela mesma medida e os episódios inesquecíveis sucederam-se. Houve música, cantou-se muito, riu-se ainda mais, e o gravador, sempre ligado, tudo registou. Não sei o que foi feito dessa fita; provavelmente perdeu-se. Ficaram as fotos da festa e vou deixar aqui uma para vos trazer uma imagem nossa e das nossas diversões naquele tempo. Para aqueles que não se lembram já ou que nunca o conheceram, publico também umas imagens do Abel, meu primo de coração grande e meu grande AMIGO.



3 comentários:
E também Ele UM VERDADEIRO BA(P)TISTINHA!
As pessoas que fazem anos a 3 de Dezembro são sempre fixolas!
de uma dessas fotos do meu pai ainda me lembro
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