sábado, 9 de outubro de 2010

Revelações...



Durante a ditadura de Salazar as comemorações do 5 de Outubro eram, para além de uma memória da implantação da República em Portugal, jornadas de luta pela democracia e de combate ao regime que nos impuseram. As romagens aos túmulos dos fundadores da República e os almoços e jantares comemorativos da data eram reuniões de opositores à ditadura, sempre estreitamente vigiados pela PIDE, a polícia política.

Não é por isso de estranhar que muitos dos artigos saídos agora na imprensa, por ocasião do 1.º Centenário da República, refiram a efeméride recordando simultaneamente essas lutas e relembrando pessoas e factos a elas ligadas.

O Trevim também não se colocou de fora na celebração da data e tem publicado artigos a propósito, onde têm surgido alguns nomes de familiares nossos. Assim, no n.º 1182 de 23 de Setembro, numa nota subordinada ao título “Memória republicana, da resistência e da Lousã” pode ler-se a certa altura: “No processo encetado pela PIDE, surgem os nomes de quatro antifascistas residentes na Lousã em finais dos anos 40, no auge da ditadura: Fernando Rosa Neto (guarda-livros), Jorge Feio dos Santos Babo (estudante) e José Rodrigues (mais tarde funcionário da Câmara Municipal), todos arguidos, além de Armando Baptista, já falecido quando foram presos os outros suspeitos de actividades contra o Estado Novo.
Considerado líder local do PCP, nessa época, Armando Baptista era filho do comerciante republicano Abel Baptista. As reuniões clandestinas do PCP na Lousã, quase sempre com a presença de Agostinho Saboga, responsável do partido para vários concelhos da região, como Lousã, Castanheira de Pera e Vila Nova de Poiares, realizavam-se precisamente na casa de Armando Baptista na Travessa”.



Mais adiante: “Ali, na rua de S. João, viveu Júlia do Carmo e Silva, que em 1940 partiu para o Brasil……… Falecida nesta década, Júlia Silva visitou pela primeira vez a Lousã aos 76 anos, em 1998. Abel Baptista, seu vizinho, era uma das suas referências, como declarou então numa entrevista”.



Os factos relatados já eram do meu conhecimento, mas agora, o n.º 1183 de 7 de Outubro, revela outros que foram para mim uma revelação. A notícia tem como títulos “Conferência de António Ventura, docente da Universidade Lusíada – Um olhar sobre a Lousã Maçónica” e relata:

“ Segundo António Ventura, docente da Universidade Lusíada, o triângulo da Lousã era composto por sete membros, Alfredo Filipe de Matos, de Casal de Ermio, professor de instrução primária, Júlio Ribeiro dos Santos, tipógrafo, Bernardino Lopes Padilha, comerciante, Abel Baptista, comerciante, Inácio António Lopes, barbeiro, José Maria da Siva, comerciante e João Rodrigues Paula, funcionário público, de Condeixa. Este triângulo, o 93, de rito escocês, passa a loja a 30 de Maio de 1909, a designada Loja Progresso, a 308, que vigorou até 1913”.

Depois:

“A 27 de Agosto de 1932, o Capitão António Augusto Franco, dinamizador do espírito maçónico a nível nacional, promove a criação do triângulo 347, criado por Abel Baptista e Armando Baptista, Joaquim Dinis e Arménio Fernandes Rodrigo, mas três anos depois passaram à clandestinidade”.

Sabia que o avô Abel tinha tido algumas ligações com Maçons do Brasil, mas não o sabia da forma como agora revelou o conferencista. Quanto ao meu pai, Armando Baptista, desconhecia inteiramente que alguma vez tivesse estado ligado àquela organização.

Estamos sempre a aprender e eu gosto de saber estas coisas dos nossos antepassados.

1 comentário:

trout disse...

o meu pai contou-me isso várias vezes .