
Josias Vandeval de Lima nasceu ao começo de uma madrugada de Fevereiro em Paranaíba, no justo lugar onde, muitos anos antes, existia uma grande tribo de índios Caiapós. Não é de crer que o mês de nascimento de Josias, o mais pequeno do ano, tenha tido qualquer influência na sua estatura, mas a verdade é que o homem, fosse pela qualidade dos genes, a influência do mês ou uma possível ascendência índia, era baixo e de fraca figura.
Quando Josias Vandeval deixou a adolescências já Paranaíba se lhe tinha tornado numa terra madrasta, tais as dificuldades que encontrava para prover ao seu sustento e da sua família. Por isso, um dia resolveu partir e, começando com uma carona de um camionista amigo, lá foi arrastando o seu 1, 54 m e 53 Kg de peso pela imensidão do Brasil em busca de dias melhores.
De lugar em lugar, de ofício em ofício, acabou por fixar-se na Favela Pavão Pavãozinho, no Rio de Janeiro, virando empregado de balcão num boteco de Copacabana. Foi ali, entre chopinhos e conversas sem compromisso que se tornou doente torcedor pelo «Mengão», o Flamengo.
Para além da sua paixão pelo futebol e pelo seu Flamengo, era um católico fervoroso e devoto de N.ª Sr.ª de Fátima, visitando amiúde a capela que lhe é dedicada, e não faltando à missa dominical. O seu pecadilho era o «Jogo do Bicho»... Conhecia muitos dos «bicheiros» da sua zona e os seus pontos, e era ali que gastava semanal e religiosamente, algum do pouco dinheiro que lhe sobrava. Outras paixões não se lhe conheciam.
Um dia foi de Portugal, do santuário de Fátima mais exactamente, a imagem de N.ª
Sr.ª, que peregrinando por várias cidades do Brasil, arrastou atrás de si milhares de fieis em luzidas procissões. Como não podia deixar de acontecer, quando a imagem peregrina desfilou pelas ruas do Rio de Janeiro, Josias Vandeval de rosário em punho também se incorporou na respectiva procissão, fazendo côro com a multidão que entoava com o açucarado sotaque brasileiro:
Quando Josias Vandeval deixou a adolescências já Paranaíba se lhe tinha tornado numa terra madrasta, tais as dificuldades que encontrava para prover ao seu sustento e da sua família. Por isso, um dia resolveu partir e, começando com uma carona de um camionista amigo, lá foi arrastando o seu 1, 54 m e 53 Kg de peso pela imensidão do Brasil em busca de dias melhores.
De lugar em lugar, de ofício em ofício, acabou por fixar-se na Favela Pavão Pavãozinho, no Rio de Janeiro, virando empregado de balcão num boteco de Copacabana. Foi ali, entre chopinhos e conversas sem compromisso que se tornou doente torcedor pelo «Mengão», o Flamengo.
Para além da sua paixão pelo futebol e pelo seu Flamengo, era um católico fervoroso e devoto de N.ª Sr.ª de Fátima, visitando amiúde a capela que lhe é dedicada, e não faltando à missa dominical. O seu pecadilho era o «Jogo do Bicho»... Conhecia muitos dos «bicheiros» da sua zona e os seus pontos, e era ali que gastava semanal e religiosamente, algum do pouco dinheiro que lhe sobrava. Outras paixões não se lhe conheciam.
Um dia foi de Portugal, do santuário de Fátima mais exactamente, a imagem de N.ª
Sr.ª, que peregrinando por várias cidades do Brasil, arrastou atrás de si milhares de fieis em luzidas procissões. Como não podia deixar de acontecer, quando a imagem peregrina desfilou pelas ruas do Rio de Janeiro, Josias Vandeval de rosário em punho também se incorporou na respectiva procissão, fazendo côro com a multidão que entoava com o açucarado sotaque brasileiro:
“À treze dji Maio / Na Cova dá Iria / Ápar´ceu brilhando/ à Virge M´ria ..... Avé, Avé, Avé Mária ... Avé, Avé, Avé Mária “
A certa altura do percurso, Josias que ia enquadrado num grupo de beatas e homens muito mais calmeirões do que ele, tentou aproximar-se nervosamente da ala do lado esquerdo do desfile mas aqueles que o rodeavam, embrenhados no seu fervor religioso, nem se aperceberam do desespero daquela «insignificância» que ia ali no meio. E não cederam passagem.
Josias estava muito nervoso; aproximava-se o ponto onde era afixado o resultado do «Jogo do Bicho» e ele estava certo de que com a benção da Sr.ª de Fátima, daquela vez é que era. O ponto estava cada vez mais próximo e sem querer quebrar a solenidade da procissão, mas não conseguindo sair lá do meio nem conter a sua ansiedade, dava tratos à imaginação para conseguir conciliar os dois mundos: vício do jogo e religião.
Foi então que se ouviu a sua voz aflautado que, sem sair do tom dos cânticos religiosos, entoou:
“Você qu´é mais alto / djiga lá si viu / no jogo do bicho / qui bicho sáiu “
Ao que o calmeirão que ia ao lado respondeu:
A certa altura do percurso, Josias que ia enquadrado num grupo de beatas e homens muito mais calmeirões do que ele, tentou aproximar-se nervosamente da ala do lado esquerdo do desfile mas aqueles que o rodeavam, embrenhados no seu fervor religioso, nem se aperceberam do desespero daquela «insignificância» que ia ali no meio. E não cederam passagem.
Josias estava muito nervoso; aproximava-se o ponto onde era afixado o resultado do «Jogo do Bicho» e ele estava certo de que com a benção da Sr.ª de Fátima, daquela vez é que era. O ponto estava cada vez mais próximo e sem querer quebrar a solenidade da procissão, mas não conseguindo sair lá do meio nem conter a sua ansiedade, dava tratos à imaginação para conseguir conciliar os dois mundos: vício do jogo e religião.
Foi então que se ouviu a sua voz aflautado que, sem sair do tom dos cânticos religiosos, entoou:
“Você qu´é mais alto / djiga lá si viu / no jogo do bicho / qui bicho sáiu “
Ao que o calmeirão que ia ao lado respondeu:
“ Avé, Avé, Avéestruz ... Avé, Avé, Avéestruz!”
1 comentário:
então e o Josias ganhou ou não?
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