quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um sonho antigo



Nos anos 50 da minha adolescência a vida na Lousã decorria de forma monótona, não sendo frequente acontecer alguma coisa que alterasse a rotina do dia a dia. Apesar de termos um aeródromo muito próximo, raro era o avião que ali pousava, e só quando o Pedro “Cacão” - um rapaz da Cruz de Ferro que era piloto da Força Aérea - vinha fazer um voo rasante sobre a Vila, a placidez dos dias se modificava um pouco e os nossos corações aceleravam. Depois vinham as histórias, algumas mirabolantes, como aquela de ele ter largado um saco de roupa suja sobre a casa de família, para a mãe lavar.

Já nos finais da década de 50 ou princípios da de 60, pretendeu-se reanimar o aeródromo da Chã do Freixo e decorreu ali uma concentração de pequenos aviões de vários tipos. Na altura foi oferecida à população que ali acorreu, a possibilidade de fazer o seu baptismo de voo e eu, felizmente, fui um dos contemplados. Nunca mais esqueci as emoções daquele dia, e, a partir daí, fiquei a aguardar ansiosamente pela repetição daquela espectacular experiência.

Anos mais tarde, já em Lisboa, deslocava-me frequentemente ao aeroporto da Portela para ver aterrar e levantar os grandes aviões, e ficava a sonhar com o dia em que teria hipóteses de voar num deles. Em Outubro de 1971 surgiu, finalmente, a oportunidade que há tanto aguardava: parti do Porto com destino a Londres a bordo de um BAC 111 da Court Line, numa viagem atribulada que começou com o rebentamento de um pneu do avião, quando aterrou no Aeroporto de Pedras Rubras.

Depois desta, muitas viagens se seguiram, algumas de longa duração, em voos para outros continentes. Faltava-me fazer A VIAGEM, e essa aconteceu agora graças à gentileza dos meus queridos sobrinhos, que não só pilotaram o avião de ida e volta até Barcelona, como me ofereceram o respectivo bilhete.

Digam lá, aqueles que me lerem, se olhando para a fotografia não se sentem roídinhos de inveja pela oportunidade que tive de viajar com uma tripulação assim?...
Realmente sinto-me um privilegiado pela possibilidade que me deram de viajar tão bem, com tão boa companhia, com tantas atenções e no COCKPIT.

Bem-Hajam! Podem crer que, tal como acontece com aquele primeiro voo na minha Lousã dos anos 50, também este vai permanecer como uma viagem inolvidável da minha vida, enquanto os carretos da memória não griparem.

3 comentários:

Maluis disse...

Bombordo....!?
Estibordo....!?
A bordo....!?

Transbordo! assim é que é!

Transbordo de orgulho com estas coisas e com esta familia.

Obrigada Batistinhas

Zi disse...

Que belo COCKPIT, sim senhor! E isto que não se vêem os ACOMPANHANTES...
Só me resta tirar a limpo quem era o mais babadinho, se o Pai se o Tio ???
Quanto aos carretos continua a oleá-los, bem oleadinhos, que pelo que nos tem sido dado a ler estão a funcionar na maravilha...
Continuação... como dizem lá para o Norte, das viagens aéreas e das virtuais com que nos presenteias.

Chma disse...

Mas enquanto o comandante e co-piloto fazem poses para a câmara, quem é que pilota o avião??!! Há lá pilotos má lindos?