Analisando o seu significado poder-se-á num primeiro momento considerá-la despropositada, desactualizada, mesmo ridícula, se considerarmos os avanços da ciência, de que vamos tomando conhecimento dia a dia. Porém, se tomarmos em linha de conta, aquilo que a mesma ciência vai descobrindo em relação às vidas e civilizações passadas, teremos que refrear os nossos juízos precipitados.
De vez em quando lá surge a notícia de que os antigos egípcios, ou fenícios, ou caldeus, etc., em civilizações que distam milhares de anos da nossa, já conheciam, ou possuíam, ou utilizavam, qualquer técnica ou instrumento que fazem as nossas delícias hoje em dia.
Lembrei-me agora da tal frase, a propósito de uma notícia que espantou as pessoas há pouco dias atrás. Dizia essa notícia, largamente difundida em toda a comunicação social, que, nos E.U.A., uma criança que se encontrava na torre de controlo de um aeroporto daquele país, deu ordem de descolagem a alguns aviões.
Essa notícia fez-me recuar algumas décadas atrás, talvez aos finais da década de 50 ou aos primórdios da de 60. Nessa altura, Lisboa era para alguns lousanenses, entre os quais nos incluíamos, uma terra mirifica, misteriosa e distante, cheia de coisas inacessíveis que povoavam o nosso imaginário, entre as quais se incluía o aeroporto com os respectivos aviões.
Se é verdade que a Lousã já nessa altura possuía o seu aeródromo, não é menos verdade que o mesmo ficava (fica) um pouco longe da vila, raramente era utilizado por aviões e, quando o era, estes não eram mais de que pequenas avionetes. Nada que se comparasse aos grandes aviões que nós víamos passar a milhares de pés de altitude.
Acontece que, nessa época, um indivíduo que aqui dá pelo nome de Chipir, veio de visita até à capital e, como não podia deixar de ser, quis ir de visita ao aeroporto da Portela. Acontece também que o tio Diamantino, em casa de quem se hospedou, tinha nas suas relações de amizade um tal de senhor Peneque, que exercia altas funções no dito aeroporto.
Por isso, as coisas compuseram-se e, um certo dia, lá foi o nosso Chipir até ao aeroporto com ordens para procurar o sr. Peneque e lhe entregar um cartão onde o tio Diamantino solicitava ao dito senhor, a gentileza de levar o seu sobrinho a fazer uma visita guiada pelo aeroporto. O sr. Peneque gentilmente acedeu, e lá foi o nosso herói coscuvilhar aquela que mais tarde viria a ser quase a sua casa.
Incluída na visita esteve uma passagem pela torre de controle, onde um controlador mais simpático, talvez para agradar ao sr. Peneque, depois de se inteirar de que o nosso homem sabia inglês, pôs-lhe o microfone na mão e deixou-o fazer um aviso a um avião que estava a estacionar, no sentido de tomar cuidado com uma qualquer irregularidade que havia na pista.
Como vêem não há mesmo nada de novo debaixo do Sol.
P.S. - Pensando melhor, há, ou pelo menos havia: uma comunicação social menos atenta.
4 comentários:
Se não fosse este maravilhoso espaço de entretenimento acho mesmo que morrerria no desconhecimento total de tantas e engraçadas aventuras dos meus Irmãos... tenho mesmo que contradizer o autor das linhas supra e afirmar, pelo menos para mim "há sempre algo de novo debaixo do Sol"...
Do Sr. Peneque lembro-me, pelo menos do nome, do Titino também, agora da aventura da torre de controle, etc., etc. ...
Pudera! Nem o próprio se lembrava... Se não fosse a cachola cá do velho ficava tudo no arquivo morto.
Concordo com a Tia. Sempre há algo de novo debaixo do Sol. Esta também nunca tinha ouvido. Mais uma!
Trabalha agora na TAP um Comandante João Peneque que, calculo, seja de relação familiar com este do conto. Vou tratar de saber e contar a história.
Beijinhos para todos
Afinal o Peneque Comandante não sabe nada do Peneque das altas funções do dito aeroporto
Enviar um comentário