segunda-feira, 21 de maio de 2012

ACA-DÉ-MI-CA, ACA-DÉ-MI-CA... (1)


Pois é! Setenta e três anos depois, a Briosa, que já havia inscrito o seu nome na Taça de Portugal logo na primeira vez em que foi disputada, volta a inscrevê-lo novamente este ano. Da primeira vez foi contra o Benfica e agora contra o Sporting. Será que a próxima vai ser contra o Porto?

Nesta altura de festa para todos aqueles que sentem afecto pelo «clube dos estudantes», cabe-me aqui recordar algumas coisas que fui sabendo e que me estão na memória, em relação às várias participações da Académica em finais da Taça de Portugal.

Da equipa de 1939 que ganhou a Taça pela primeira vez, fazia parte o Alberto Gomes, casado com a nossa prima Mariazinha. (1) Jogava a interior direito (posição equivalente a um médio atacante do futebol actual) e, como me disse alguém que o viu jogar, praticava um futebol cerebral e de muita qualidade, pelo foi chamada à Selecção Nacional. Mais tarde viria a distinguir-se como técnico da Académica e tornou-se uma figura célebre em Coimbra.

A final da Taça de 1939 foi disputada no Estádio das Salésias, campo onde jogava o meu Belenenses, e que era o único campo relvado em Portugal.(2) São impressionantes as fotos da época relativas ao encontro e dão bem a imagem do interesse que despertou.

Era tempo muito diferentes dos de hoje e para terem uma ideia de como era vivido o futebol naquele tempo socorro-me de um extracto da enciclopédia “O Século do Desporto” uma publicação do jornal “A Bola”, relativo ao encontro de há 73 anos:

Peripécias dos jogadores estudantes na primeira Taça...
Banco de pau, castigo desfeito

Bernardo Pimenta marcou o primeiro golo da Académica. Professor, saíra de Coimbra de combóio na manhã do jogo – em terceira classe e assentos de madeira! Colocado em Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital, durante esse ano escolar, treinava-se com a equipa do vilarejo e só ao sábado se juntava aos colegas de facto! «Depois de cinco horas na estafa da viagem, esperava-me um táxi que me conduziu ao Hotel Bragança, no Cais do Sodré, onde a equipa se hospedara para estágio. Almocei muito pouco pois o jogo realizava-se pelas 17 horas...»

César Machado, para não faltar às aulas, também não seguira na 5ª feira para Lisboa. Determinação que lhe esteve para ser fatal. «Resolvi dizer peremptoriamente ao Dr. Albano Paulo que não faltaria às aulas. Furioso, garantiu-me que então não jogaria a final. Como não era profissional sentia-me enfurecido, nervoso, e chorando fui para o ACM, onde dali a pouco estavam o capitão Pina Cabral, o Dr. Fausto, o Dr. Freitas, etc., que me foram injectar um calmante. Por não ter dinheiro para o combóio da claque fui à boleia com o capitão Pina Cabral. Chegados a Lisboa procurámos um modesto hotel na Rua do Alecrim. De manhã levantei-me, almocei e segui para as Salésias... Como não tinha mais ninguém para pôr a jogar, o Dr. Albano Paulo chamou-me e aquele foi o momento mais fabuloso da minha vida, da vida de todos nós, certamente. Ganhar ao Benfica, ganhar a primeira Taça de Portugal...»


O resultado final de 4-3 a favor da Académica, foi obtido com 2 golos de Arnaldo Carneiro, 1 de Alberto Gomes e outro de Bernardo Pimenta, o tal da viagem em «primeira de III riscos» e assentos de madeira, no próprio dia do jogo!!!

1) Para quem está mais desatento em relação aos laços familiares, esclareço que a Mariazinha era filha do tio Manuel, irmão da minha avó Izidora, e portanto prima da minha mãe em 1º. Grau. Era irmã do Aldemar e do Litó, e mãe da Nélita (Virgínia Manuela), do Nito (Carlos Alberto) e do Jorge (já falecido).

2) Este campo tem uma história que aqui será contada qualquer dia

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