Estou num quarto em Zurique, falta mais ou menos um mês e meio para a minha partida para o Dubai.
Vou sair da companhia onde os meus pais trabalharam mais de 30 anos e onde já venci, para uma companhia nova e onde vou começar outra vez, para longe do meu país e dos meus amigos, e para longe de um dos meus filhos.
Já que o Lousanense pediu alvíssaras a alguém que aqui aparecesse vou aproveitar para me aliviar aqui de umas coisitas sobre este assunto.
Nos últimos anos, como todos sabem, vimos um casal dos nossos perder um emprego de uma infinidade de anos de dedicação e competência perto do irrepreensível, como consequência da incompetência de alguns ininputáveis e ininputados.
Mais longe do nosso grupo vimos, durante pelo menos uma década, gestores do país agir contra o que todas as opiniões de especialistas da OCDE, do Banco Mundial, do BCE e mais uma multitude de opinionistas profissionais e desinteressados consideravam o interesse do país, e de acordo com agendas eleitoralistas e sondagistas, sem que lhes seja imputada qualquer responsabilidade ou no mínimo seja aberto qualquer inquérito ou investigação ao interesse das acções que criaram pobreza generalizada e, quase de certeza, fome! Portucale, Freeport, TVI, Submarinos, etc, etc, vai tudo com o vento.
Pudémos saber que um autarca foi avisado, por escrito, de que certas construções em curso poderiam, se se repetissem condições metereológicas já na história registadas, ter consequências catastróficas e até perda de vidas, sem que tenha tido que responder pelo resultado quando a profecia fácil se concretizou!
Os exemplos de ininputabilidade são infindáveis e eu não gosto. Como dizia o Milton no outro dia numa entrevista da SIC em relação á fome e á guerra: "…acho mal, é muito aborrecido!".
Ah! Ía cometendo a injustiça de não mencionar o Isaltino. Para injusto já basta o sistema. Temos que ter cuidado, os currículos são para respeitar.
Mais perto do meu dia-a-dia, tenho que conviver com facto de o meu rendimento ter sido reduzido em cerca de 15% nos últimos 18 meses porque algumas decisões políticas fazem com que a minha lucrativa, competitiva e operacionalmente eficiente empresa tenha que suportar as perdas gigantescas de um abcesso maior que ela própria. E enquanto vou arranjando enquadramento psicológico para lidar com isto vou encaixando as notícias de um aumento significativo do rendimento das minhas chefias e da excepção, para a equipa do CEO, dos cortes atribuídos ao resto dos empregados.
Não me acho um coitadinho e não ando triste (tenho testemunhas, na boa), mas tenho alternativa a ter que digerir estas porcarias todas ao mesmo tempo que sofro as consequências das mesmas. Tenho alternativa a ter medo que a Raquel chegue tarde e estacione longe, ou que a casa seja assaltada com as miúdas lá dentro (a minha garagem já foi assaltada duas vezes e o guarda nocturno já levou umas porradas que o deixaram de mão entrapada por uns tempos), e tenho possibilidade de dar aos meus filhos (em número cada vez maior) mais possibilidades e menos riscos do que se continuasse cá em Portugal.
Não há garantias de que o resultado seja melhor do que se a opção fosse a outra mas tenho que agir da maneira que acredito a melhor em vez de da maneira mais confortável. Foi isto que os meu pais me ensinaram.
Aprendi com eles que é preciso fazer a coisa certa, mesmo que pareça menos confortável ou envolva decisões complicadas. Aprendi com eles que eu não sou menos capaz do que qualquer outra pessoa e que há coisas que parece que não estão ao nosso alcance mas estão. E aprendi com a vida que o nosso aquário é gigantesco e diversificado e que não estamos limitados ao cantinho atrás da alga, apesar de ser o nosso e onde estão os nossos, a não ser por nós próprios.
Além de tudo há ainda a questão do risco. Nem todas as pessoas podem escolher evitar uma situação de potencial risco para o futuro das suas famílias, mas eu posso. Posso escolher não estar na situação em que se encontraram a Ís e o Costinha, ou melhor, escolho não ter que pensar em se vou estar ou não nessa situação em breve. Porque posso, acho que devo!
Não vai ser tudo bom. Ver menos o Vasco vai-me envelhecer e há mil coisas de que vou sentir falta (o preço da gasolina não). Mas vou estar mais perto do que parece, vou ter o meu irmão e os meus sobrinhos, vou estar por cá de vez em quando e vou acabar por ver mais algumas pessoas do que quando estava cá.
Espero visitas
Beijinhos para todos
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
6 comentários:
vai correr tudo bem aposto!
beijinhos primo!
Só tens de seguir o que te diz a tua razão e o teu coração. Só posso desejar-te o melhor, por mais que me custe saber que talvez vos veja menos. Muitos beijinhos a todos.
Todos nós fomos enganados. Somos o atacante genial que vai entrar isolado na área, a caminho do golo, e é rasteirado in extremis pelo defesa rasca e brutal.
Como eu te compreendo… Felizmente, no teu caso, ainda conseguiste inventar uma finta impensável para escapar à agressão. Como alguém disse um dia “ainda tens o espírito suficientemente desempoeirado e livre para sacudir a terra que te querem atirar para cima”.
Vou sentir saudades tuas e da tua gente, mas já que tem que ser, desejo-te o melhor êxito na tua nova vida.
Mas as saudades ficam.
Como eu vos compreendo e deixo os votos pela vossa resolução para a frente é que é o caminho, apesar da alguma separação e saudade desejo-vos tudo de bom.
Pois!... ;0(
Contra factos não há argumentos e ainda bem que tens a sorte de ter alternativa. A vida é assim mesmo e quando há coragem e determinação para ir em frente, contra ventos e marés,já está meio caminho andado.
Haja saúde e boa disposição que, de certo,sempre arranjarás algum tempinho para de vez em quando vires aos "batistinhas" presentear-nos com umas pinceladas das tuas novas paragens.
Tenho quase a certeza que se vai concretizar o teu vaticínio - ir-nos-emos ver mais frequentemente.
Aquele abraço, BOA SORTE!
Obrigado a todos
Muitos beijinhos
Enviar um comentário