Nos tempos do saudoso vinil havia uma metáfora que se aplicava aos discursos repetitivos e a todas as acções que aparentando mudança, mantinham tudo igual: vira o disco e toca o mesmo.
Agora, com o aparecimento do CD, já não faz muito sentido falar em vira o disco embora o toca o mesmo esteja cada vez mais actual. Reparem nestas palavras de Eça de Queiroz publicadas nas “Farpas”, em 1872, e digam-me se a tal metáfora não tem aqui plena aplicação:
Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento de caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.

2 comentários:
Ou o Eça era um visionário ou então há seculos que não passamos da cepa torta! Voto na segunda.
Apesar de aqui ter deixado um comentário há ja três dias, parece que desta vez a tecnologia me passou a perna!!
De facto o Sr era um visionário :) aliás um profeta, há até outros que afirmando que o são, são muito menos que ele, ou pelos as verdades são menos consistentes.
Prefiro creditar que estamos apenas em mais um ciclo histórico do que perceber que não passamos da cepa torta .
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