quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A praia em Setembro


Estou na Praia da Rocha gozando os  último dias de Verão debaixo de um tempo esplendoroso. Durante muitos anos fui um «setembrino militante», até ao dia em que uma  mente sádica resolveu enfiar as crianças na Escola a partir de meados do mês. No meu tempo começava-se a 6 de Outubro e nem por isso sabíamos menos; mas, adiante.
Liberto dos problemas escolares das filhas regressei agora à praia nos dias calmos de Setembro.  Já se foram embora as grandes massas de veraneantes, reaparece o espaço livre na areia para estender a toalha e o inclemente Sol de Agosto deu lugar a uma carícia quente e reconfortante que doura sem tostar. A água do mar está mais quente e há essa luz diferente, mais doce, menos agressiva, que torna os fins de dia num deslumbramento permanente.
Porém, não há bela sem senão. Vinha na esperança de avistar ainda a barbatana dos famosos tubarões martelo, mas só encontrei orcas e baleias esparramadas na areia.
As gajas boas quase desapareceram. Ainda se vê uma ou outra secretária inglesa que terá perdido o avião para o seu país; uma ou outra jovem mamã com os filhos pré-escolares a reboque.  Mas há uma escassez evidente de material de primeira.
Aparecem balzaquianas, com o corpo a atirar para a gelatina, e biquínis a que só falta o letreiro:  últimas oportunidades. Ainda hoje de manhã vi uma, já passada, com um biquíni rosa choque , a fazer fotos a um pequeno caniche preto enfeitado com lacinhos da mesma cor do fato de banho da senhora. À falta de melhor, fotos do cãozinho…
Pois é! Neste mês, depois do dia 15, a quantidade de borrachos  varia na proporção inversa da quantidade de barrigudos e barrigudas. Aparece aos magotes a 3.ª idade e o tom mais amarelado do Sol empresta à praia um certo ar de museu de antiguidades.
Outro dia, estava eu a almoçar no Restaurante Rebelo da Praia do Vau, meu poiso habitual, apareceu-me de surpresa o primo Gonçalo Raposo que estava de visita àquela praia. Tendo em conta o apreço que aquele nosso familiar dedica a antiguidades e velharias, foram-se-me com a maré todas as ilusões; estava catalogado.
Ah!... mas a luz de Setembro…





P.S. – Também se vêem alguns mariconços.

2 comentários:

Chma disse...

E eu que este ano ainda nem tomei um banho de mar! Que sacrilégio!

Maluis disse...

Sacrilégio é alguém com tanta coisa boa para gozar e com direito a setembro e férias, perder dois parágrafos a lamentar a ausência de gajas boas!!!
ao que isto chegou!?!?
haja decoro :)