sexta-feira, 15 de julho de 2011

O meu amigo Pompeu

Faz hoje anos o meu amigo Pompeu, afilhado dilecto do proprietário e capitalista lousanense sr. Pompeu Augusto dos Santos.
PARABÉNS !!!
Quando os meus olhos se abriram pela primeira vez para a vida, no começo de uma fria tarde de Fevereiro, na rua Dr. Francisco Viana, já o Pompeu, algumas centenas de metros mais abaixo, na Cruz de Ferro, vinha mudando fraldas há 7 meses.
Durante a infância, as nossas vidas quase não se cruzaram. Naquele tempo o Mundo não ia muita além da nossa rua, e a Cruz de Ferro já ficava para lá das «fronteiras». O nosso território começava no Largo da Travessa, continuava pela minha rua e terminava nas árvores, ao começo da rua Dr. António Lemos. Às vezes, conforme as aventuras e brincadeiras, estendia-se até ao largo do Palácio, ao pricípio da rua de São João, à rua de Palhais, ao «eléctrico». Se fosse a época dos bichos da seda, as fronteiras alargavam-se um pouco até às amoreiras da estrada da Fábrica, uma espécie de terra de ninguém, porque para lá o território já pertencia à malta da Tapada e à gente do Penedo.
Por isso, naquela altura, o Pompeu para mim, era um rapaz que passava cosido com a parede defronte da nossa casa, a caminho do Palácio, para ir buscar leite. Sabia-o também sobrinho do sr. Amadeu Fernandes e da sr.ª Águeda casal que morava na casa em frente, portanto primo dos seus filhos, Afonso, Alberto e João, mas pouco mais. Não nos cruzámos na Escola Primária, ou melhor, ter-nos-emos cruzado, mas como não estávamos na mesma classe foi quase como se não nos conhecêssemos.
Já os primos faziam parte do nosso grupo e, juntamente com muitos outros cujo nome seria fastidioso nomear, compartilhavam das inenarráveis brincadeiras que tinham por palco o largo da Travessa ou o nosso «estádio olímpico», o largo das árvores por cima da Fonte da Arcada.
E foi assim até aos meus 14 ou 15 anos, altura em que fui frequentar o Externato de Santo António e nos tornámos companheiros de turma. Ficámos amigos até hoje, depois de em conjunto termos suportado o «calvário» das aulas da D. Alda e os «prefixos e sufixos» do Dr. António Jorge. Calcorreámos juntos os caminhos que levavam até ao Liceu D.João III e ali prestámos provas de tal modo brilhantes que o júri, entusiasmado, nos obrigou a repetir o ano por duas vezes.
Depois disso separámo-nos. Eu fui trabalhar para a Fábrica do Prado e o Pompeu rumou a Évora para frequentar a Escola Agrícola. Pensava o João «Grande», seu pai, que o filho depois de acabar o curso viria tomar conta da Quinta do Areal, fazendo daquilo um jardim de couves, tomates, cebolas e afins. Puro engano... da quinta só tomou o epíteto de Visconde das Areias e logo rumou a Lisboa disposto recrear-se nos prazeres da capital. Empregou-se no Laboratório de Patologia Vegetal do Instituto Superior de Agronomia e por ali se manteve até à reforma.
Solteirão empedernido, é um lobo solitário predador de corações românticos, tradicionalista e bon vivant, que gosta de uma boa sessão de fados, de comer bem, viajar pelo Brasil, gozar a vida, recordar antigas tradições. Apesar de viver só não se dispensa de, pelo Natal e pela Páscoa, confeccionar as iguarias tradicionais da época, ainda que seja só para ele (digo eu...).
Encontramo-nos de vez em quando para almoçar, recordar velhos tempos e comentar os novos. Por vezes, coisas que já estavam adormecidas na nossa memória vêm à tona nessas conversas. Foi assim que, recentemente, estivemos a recordar as festas de São Pedro na Lousã e a particularidade desses festejos. Um pouco por toda a Vila mas mais acentuadamente na nossa zona e na do Pompeu, era costume enfeitar à noite as janelas, varandas, escadarias e balcões, com pequenas luzes. Naquele tempo não existiam os materiais que hoje estão à nossa disposição, pelo que havia que dar tratos à imaginação para conseguir um resultado eficaz. Querem saber como fazíamos? Vejam o filme aqui em baixo.
Nota 1 - Este post deveria ter sido publicado ontem, dia 14, mas por dificuldades com a ligação à Internet só hoje vem a lume
Nota 2 - Holandês dos Caracois - Rua Duarte Pacheco, 5 - Portimão 37º 13´58" N 8º 53´74" W

5 comentários:

Margarida disse...

Parabéns ao Pompeu e ao "tutorial" do meu pai em como fazer candeias com caracóis! E não é que faz um efeito giro! Os "antigos" sabiam-na toda!
Beijinhos a todos, Kikas

Maluis disse...

Efeito giro!?!?!

Isso é apelido. A ideia é genial :)
Também quero uns só para mim!
obrigada pela partilha

Não posso deixar de deixar uma palavra de parabéns pelo excelente suporte multimédia como tutorial, aqui deixado e produzido pelo lousanense :) Parabéns, produção digna de globo de ouro.

Chma disse...

Eh pá, temos cineasta! Ideias muito bem esgalhadas, tudo muito bonito mas confesso que não parei de pensar numa coisa: "Tadinho do meu cunhado... Caracol sofre!"

lagartinha disse...

Houve os «Iluminati», e daqui saiu o mais iluminado que consegue pôr os caracóis a « dar à luz». Cruzes, credo, será algum bruxedo que me escapa? Não, não é, porque eu vi com estes olinhos lindos e pestanudos.

trout disse...

se alguém tiver facebook que se acuse ,ruibapti@iol.pt rui