
Numa Real República
Quando nasci ainda a vizinha Espanha estava a ferro e fogo, com a Guerra Civil semeando dor, ódios e vinganças, fome. Mal esta acabou, em Setembro de 1939 – tinha eu 18 meses – começou outra de maior dimensão e ainda mais trágica, a II Guerra Mundial, com o seu cortejo de horrores e violência dos quais o Holocausto terá sido o mais abjecto.
Felizmente, poucos ou nenhum dos meus potenciais leitores se lembrará ou viveu esses tempos de tragédia. Pela minha parte guardo na memória algumas imagens difusas dessa época de angústias e miséria. Lembro-me dos motores a gasogénio, dos comboios a consumir lenha no lugar de carvão, das fitinhas de papel coladas nos vidros das janelas; recordo ainda a metade superior dos faróis dos automóveis e eléctricos pintada de roxo bem como muitas janelas das casas, as revistas Guerra Ilustrada distribuídas pela propaganda inglesa, nas quais soletrei as primeiras palavras e me inspirei para os primeiros desenhos.
Fiquei mais tarde a saber que a Alemanha tinha preparado antecipadamente a sua máquina de guerra enquanto a Inglaterra e os países aliados tentavam por conversações diplomáticas infrutíferas obstar à tragédia que já se adivinhava. Os países do Eixo, Alemanha e a Itália, intrometeram-se na Guerra Civil de Espanha e aproveitaram-na para testar os seus equipamentos bélicos enquanto a restante Europa equipada com armamento idêntico ao da I Guerra se perdia em conversações.
A invasão da Europa pelos exércitos de Hitler tornou-se assim um passeio triunfal. Invadida a França só pararam junto ao canal da Mancha, porque temiam a Marinha Inglesa, a mais poderosa do Mundo. Assim, resolveram flagelar Londres pelo ar, despejando sobre a cidade e arredores toneladas de bombas, transportadas por vagas sucessivas de pesados bombardeiros.
Foi então que a Inglaterra se ergueu e lançou ao encontro dessas poderosa máquinas de morte o melhor da sua juventude tripulando os poucos e frágeis aviões de caça da sua frota. Com coragem, determinação e valentia esses jovens deram combate e venceram a supremacia da aviação alemã. Muitos morreram então ao serviço do seu país mas escreveram uma das páginas mais gloriosas da aviação inglesa. Winston Churchil o primeiro ministro inglês da altura, também ele um leão desta Guerra, prestaria mais tarde uma homenagem àqueles jovens de uma «geração enrascadíssima» com uma frase que ficou para a História: Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.
Em Maio de 1945, tinha eu 7 anos e estava numa aula de piano em casa das meninas Fontes, quando um grande alvoroço na rua anunciou o fim da Guerra, saudado com alegria por toda a gente. O conflito não tinha chegado ao nosso país mas nem por isso nos livrámos de sentir as dificuldades que a Europa então atravessou, como já aqui lembrei; vieram as senhas de racionamento de bens, a especulação e o mercado negro associado.
Vivia-se com dificuldades e sem horizontes. A juventude sentia-se de algum modo aliviada por não ter sido chamada a combater naquela chacina que deixou a Europa em ruínas, mas sentia na pele as dificuldades daquela época.
Fiquei mais tarde a saber que a Alemanha tinha preparado antecipadamente a sua máquina de guerra enquanto a Inglaterra e os países aliados tentavam por conversações diplomáticas infrutíferas obstar à tragédia que já se adivinhava. Os países do Eixo, Alemanha e a Itália, intrometeram-se na Guerra Civil de Espanha e aproveitaram-na para testar os seus equipamentos bélicos enquanto a restante Europa equipada com armamento idêntico ao da I Guerra se perdia em conversações.
A invasão da Europa pelos exércitos de Hitler tornou-se assim um passeio triunfal. Invadida a França só pararam junto ao canal da Mancha, porque temiam a Marinha Inglesa, a mais poderosa do Mundo. Assim, resolveram flagelar Londres pelo ar, despejando sobre a cidade e arredores toneladas de bombas, transportadas por vagas sucessivas de pesados bombardeiros.
Foi então que a Inglaterra se ergueu e lançou ao encontro dessas poderosa máquinas de morte o melhor da sua juventude tripulando os poucos e frágeis aviões de caça da sua frota. Com coragem, determinação e valentia esses jovens deram combate e venceram a supremacia da aviação alemã. Muitos morreram então ao serviço do seu país mas escreveram uma das páginas mais gloriosas da aviação inglesa. Winston Churchil o primeiro ministro inglês da altura, também ele um leão desta Guerra, prestaria mais tarde uma homenagem àqueles jovens de uma «geração enrascadíssima» com uma frase que ficou para a História: Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.
Em Maio de 1945, tinha eu 7 anos e estava numa aula de piano em casa das meninas Fontes, quando um grande alvoroço na rua anunciou o fim da Guerra, saudado com alegria por toda a gente. O conflito não tinha chegado ao nosso país mas nem por isso nos livrámos de sentir as dificuldades que a Europa então atravessou, como já aqui lembrei; vieram as senhas de racionamento de bens, a especulação e o mercado negro associado.
Vivia-se com dificuldades e sem horizontes. A juventude sentia-se de algum modo aliviada por não ter sido chamada a combater naquela chacina que deixou a Europa em ruínas, mas sentia na pele as dificuldades daquela época.
Em Coimbra, uma república de estudantes em dificuldades, julgo que a Real República Palácio da Loucura, crivada de dívidas e sem capital para fazer face às mesmas, declarou falência e, glosando a célebre frase de Winston Churchil , pendurou na parede exterior uma placa onde se podia ler: Nunca tão poucos deveram tanto a tantos.
Geração à rasca ! Onde é que eu já ouvi isto?
Sem comentários:
Enviar um comentário