segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CINEMA...


Se eu soubesse como se faz, acompanhava este post com a música de “Cinema Paraíso”, um dos filmes da minha vida. Como os meus conhecimentos da blogosfera não dão para tanto, limito-me a publicar dois fotogramas daquele filme que tantas e tão boas recordações me trouxe.

Houve um tempo em que a minha paixão pelo cinema era tanta que raramente falhava um filme exibido no Cine-Teatro da Lousã. O meu lugar era quase sempre na coxia, na cadeira I-1, e dali assistia maravilhado a tudo o que se projectava. Em primeiro lugar os chamados documentários, quase sempre com um jornal de actualidades desactualizado, uma curta metragem e um desenho animado; depois, a partir do 1º intervalo, vinha o filme de fundo, a maior parte das vezes a preto e branco.

Dramas, comédias, musicais, filmes de cow-boys, filmes históricos, tudo por ali passou e contribuiu de algum modo para a minha cultura pessoal. Podia o som ser roufenho e a película riscada, que o encantamento não se apagava dos nossos olhos. Não havia as modernices do som surrond, nem estereofonia, nem Dolby, nem 3D. O Cinemascope com o seu écran largo, só apareceu por lá muito tarde, quando a concorrência da TV já fazia rarear as assistências.

Sentado no meu lugar da coxia assisti a grandes filmes que não necessitavam dos efeitos especiais de agora para terem êxito e merecerem os louvores da crítica. Era tudo muito mais simples mas igualmente eficaz, e o gosto que ainda hoje sinto pela magia do cinema ficou-me desses tempos da juventude.

Os tais documentários de então são hoje escandalosamente substituídos pela publicidade aos filmes em exibição ou a exibir proximamente, impondo-nos uma publicidade forçada paga com o preço do bilhete, que já não é nada barato.

Ontem fui ao cinema ver o filme “O Turista” e na bilheteira deram-me um lugar na coxia, onde podia estender as pernas à vontade, semelhante àquele que tinha na Lousã. Não estava era à espera de ter de usar as ditas para sair dali rapidamente, como esteve quase para acontecer.
A publicidade aos filmes a exibir comportava imagens e sons de explosões de tal modo fortes, que uma coluna de som logo ali ao lado quase me rebentava com os tímpanos. Por sorte, o filme a que assisti era suave, um pouco delicodoce, com a Angelina Jolie (o que só por si explica a minha resignação...) e não tinha aquela parafernália de efeitos especiais com que agora se disfarça a falta de qualidade, pelo que fiquei e resisti até ao fim.

Ficou no entanto a pergunta no ar: será que é necessário fazer projecções com tais
níveis de som, para o filme agradar, ou os exibidores recebem alguma comissão dos médicos dos ouvidos?

Fiquem bem e vejam ou revejam o “Cinema Paraíso”. Há em mim um pouco do Totó daquele filme.






2 comentários:

Zi disse...

Uma vez mais, o Sr. Lousanense falou e disse, ou mais propriamente, pensou e expressou através da escrita o que lhe ia no âmago e, uma vez mais também,muito bem e cheio de razão. Apesar de muito raramente ir agora ao cinema, uma das coisas que mais me desagrada são os decibeis com que o som é "projectado" nas respectivas salas. Talvez aconteça que os nossos aparelhos auditivos sejam mais sensíveis por não termos sido criados com auriculares... será?! Quanto ao filme em referência ainda há bem poucos dias tive o prazer de o rever na RTP2 e que bom que foi!É daqueles que nunca fartam.

Margarida disse...

Acho mesmo que ganham comissão das empresas de aparelhos auditivos! É um horror! Detesto isso e o ar condicionado sempre gelado! Mas confesso que tenho muitas saudades de ir ao cinema, no tempo em que era estudante e nas férias conseguia ir à sessões do monumental das 11:00h da manhã e meio-dia. Uma paz, um sossego, sem pipocas e só bons filmes! Sou bem mais nova mas recordo também com nostalgia esses tempos não muito longínquos.