sábado, 24 de julho de 2010

Pedibus calcantibus

Um vento desbragado e inclemente tem açoitado a Amadora nestes últimos dias, fazendo gemer as árvores e as almas, correndo com as pessoas das esplanadas e empurrando-as para casa. Apetecia sair daqui em busca de local mais ameno, para gozar um pouco do Sol, do calor e da luz deste Verão, mas uma série de exames e tratamentos tem-me amarrado aqui ao pé da porta, sem outra hipótese que não seja aguentar pianinho a fúria dos elementos.

Preso sem culpa formada, dou comigo agarrado ao computador tentando arranjar assunto para escrever aqui duas linhas e, depois de muito escarafunchar nas meninges, vou arrancá-lo ao parágrafo anterior na expressão «pé da porta». Já algum de vós viu o pé , tal como o imaginamos, a uma qualquer porta?

Pés há muitos, como por exemplo, pé de salsa, pé de chumbo, pé de mesa, pé de atleta, ambulacrário, pé-coxinho, pé chato, pé de cabra, pé de galo, pé boto, pé de ginja, pé de galinha, etc., etc. Há ainda o “segmento distal ou terminal do membro inferior, parte da extremidade da perna, que serve aos homens e aos animais para se apoiarem e andarem”, ou seja, sua ex.ª o PÉ.

Se consultarem o tomo VIII do Grande Dicionário da Língua Portuguesa, editado pela Sociedade de Língua Portuguesa, e procurarem a palavra pé, vão encontrar ¾ da pág.509, mais as págs. 510, 511, 512, 513, 514 e ¼ da pág. 515, dedicadas ao assunto. Como se pode ver a palavra é analisada com a profundidade necessária e não a ponta. Dava para mais uma série de crónicas dedicadas ao tema, se para aí estivesse virado. E se metesse ao barulho os «pésinhos de coentrada», não vos digo, nem vos conto...

Quando alguns me dizem que não escrevem aqui por não saber o que dizer, deixo-lhes o exemplo acima para verificarem como, com um pouco de vontade e imaginação, é sempre possível encontrar assunto para umas baboseiras como esta.

Sem sair do tema, apetece-me tirar a conclusão de que a ausência da escrita e dos comentários não se deve à falta de assunto; estão é a dar com os pés no blog, coisa que eu, mesmo que quisesse (e não quero!), estava impossibilitado de fazer convosco, como resulta da imagem abaixo.


2 comentários:

Marta disse...

Ninguém escreve porque tem tudo medo de meter o pé na poça. Ou então foram todos de férias aproveitando o pé de meia que tinham para o efeito!
Mas eu mesmo pé ante pé e sem ninguém dar por isso vou sempre seguindo este blog!!
As melhoras do teu pé onde é mais fácil encontrar uma agulha do que no palheiro.

Zi disse...

Pois, pois... e eu, em pé de página, que julgo que também se usa, ainda que de momento não saiba muito bem quando,nem com que significado,e por isso mesmo talvez não muito a propósito, tenho que reconhecer que o seu calcante, mesmo doentinho, não me parece nada mal,não senhor.