O melro salvou-se, pelo menos daquela vez. E a sementinha?!... A pequena semente, como era muito leve, pairou no ar durante algum tempo levada por uma brisa que então fazia, até que, ao dobrar de uma colina, para lá de um souto que amortecia o vento (1), aterrou entre duas pedras, numa cama fofa de folhas mortas e terra macia. Tão bem se sentiu ali, protegida dos olhos gulosos da passarada e da fúria dos temporais, que resolveu germinar botando raízes à terra em procura de alimento, e o periscópio de um tenro caule, para poder namorar o Sol.
Por um feliz acaso ou porque o local não fosse muito propício a excursão de homem ou animal, o certo é a débil planta deitou corpo e foi crescendo, escapando à trituradora do caprídeo que por mais de uma vez sentiu ali perto em bucólica chocalhada. Fez-se arbusto ramalhudo, com filharada a rebentar por todo o caule. Como lhe adivinhasse futuro, um pastor que por ali passou aliviou-o de tanto ladrão que o chupava e compôs a ramaria de modo a deixar crescer a árvore bonita em que se tornou.
Se por um qualquer processo científico, ADN ou coisa que o valha, fosse possível estudar aquela árvore desde o mais alto ramo até à mais fina raiz, iríamos encontrar ainda algum sinal da sementinha mãe? E da árvore que lhe deu origem? Qual seria a Árvore Genealógica daquela árvore?
A origem da vida e o mistério que encerra continuam a desafiar a mente humana, mas aos poucos vai-se avançando. A National Geographic tem estado a desenvolver o The Genographic Project, em que através do ADN das pessoas que nele queiram participar, pretende estabelecer as rotas de migração da população mundial a partir do primeiro homem. Nós já demos o nosso ADN para o projecto e através da documentação que nos foi enviada ficámos a saber que, para desespero dos vários «Hitler» e seus seguidores, a origem da Humanidade terá começado no centro de África, onde hoje fica a Tanzânia (2).
De qualquer modo, esse estudo apenas determina as migrações dos grandes grupos humanos e o modo como se foram adaptando e sofrendo a influência dos novos habitats, o que, diga-se, não é pouca coisa. Já para o estudo das famílias é preciso enfrentar o pó dos arquivos, consultar velhos livros e documentos, escavando sempre, mas por vezes a falta de registos e a antiguidade das pistas leva-nos a esbarrar numa parede. O estudo é tanto mais difícil quanto menor é o estatuto social dos indivíduos estudados, ou o seu destaque (positivo ou negativo) na sociedade. Um homem célebre ou um criminoso, podem não constar dos arquivos oficiais, porque estes forma corrompidos ou porque não existiam à época, mas aparecerem noutros escritos que, apreciando ou depreciando a personagem, dão notícia da sua existência.
Tomemos o exemplo da nossa família. Temos aqui este espaço: Os Batistinhas. De onde vem o Baptista? Quem foi o 1.º Baptista nesta família? Eu gostava de saber, mas ainda só consegui chegar ao meu bisavô paterno, Manuel Baptista, que foi residente em Vale de Remígio, concelho de Mortágua. Casou com Josefina Rosa e teve pelo menos o avô Abel. Julgo que havia outras pernadas desta cepa, mas onde estão? Como se chamavam?
Ficasse Viseu mais perto e ainda me aventurava a tentar dobar essa meada; assim, e por agora, só posso deixar este documento. Pode ser que alguém pegue no testemunho...

1) Já lá dizia o tio Amílcar. “o vento é o emprenhador das árvores...”
2) Malhereusement, como diriam os franceses, o Ricardo esteve por aquelas paragens em espinhosa missão de viagem de núpcias, por isso, não teve oportunidade nem tempo para aprofundar e confirmar este assunto. Fica para a próxima...
Sem comentários:
Enviar um comentário