sábado, 8 de maio de 2010

O jardim...


Há anos fotografei este jardim, obra de uma família que o cuidava e mantinha de forma primorosa. Dava gosto ver ali aquela gente, miúdos e graúdos, sachando, regando, limpando e arrancando ervas. Assim, iam mantendo aquele local sempre bonito para recreio próprio e regalo dos olhos de quem passava.

Recentemente passei por ali na esperança de ver naquele jardim os primeiros sinais da Primavera que então despontava. Que desilusão! Do bonito vergel não restava mais que um imenso e triste chavascal.

Perguntei a um passante a razão de tal desprezo por um local que era um regalo para os olhos de quem por ali fazia caminho. Explicou-me que o lindo jardim que ali houvera, fora obra de uma família que a roda do tempo tinha pouco a pouco destroçado. Uns envelheceram, outros foram dali para outras paragens e os mais velhos tinham falecido. O lindo jardim foi morrendo aos poucos, por falta de quem o cuidasse.

Em Janeiro de 2008, alguém que todos nós conhecemos, pegou na sachola e deu a primeira cavadela na terra húmida. Depois continuou a desbravar a terra inculta, limpou de ervas e pedras, ajeitou tudo harmoniosamente; adubou, regou, semeou, pôs dois pingos de amizade e de ternura, fez nascer o Jardim.

Encostada à sachola, limpando o suor do rosto, observando o resultado da sua faina, a Maria Luís sorriu feliz. Tinha nascido este jardim: Os Batistinhas.

Mas tal como aconteceu com o jardim que acima referi, vão escasseando os jardineiros para cuidar dele e sou quase só eu a podar, a regar, a varrer as folhas velhas. De quando em vez lá vem uma mão generosa e arranca uma folha morta ou dá uma sede de água na forma de um comentário, mas é preciso mais. Não que me pese ainda o regador ou a tesoura de podar, mas falta sangue novo, com novas técnicas de jardinagem, novas plantas e adubações.

Pensem nisso!...

1 comentário:

Zi disse...

Cada vez jardina melhor este Belo e Bom Jardineiro!...
É que é isso mesmo, sem novos jardineiros, aplicando novas técnicas que dão novas forma de vida a velhos jardins, eles acabam por definhar e desaparecer, com grande mágoa dos velhos donos e também dos passantes.
Que nunca te pese o regador, nem te doam as costas,para ires continuando a florir e verdecer este nosso Jardim.
Pela minha parte prometo continuar a arrancar as folhas mortas, varrer e dar um pouco de água às plantas necessitadas, já que para mais não me sinto dotada.
Bem hajas por tal!