
Uma vez que a correspondente do nosso blog em Londres não envia qualquer despacho, vejo-me na necessidade de trazer até vós uma história da minha viagem aos países do Báltico.
Em St.Petersburg, junto ao rio Neva, existe uma fortaleza chamada de Pedro e Paulo, que foi utilizada como prisão política para os opositores dos czares; o escritor Máximo Gorki esteve ali preso em 1905.
Dentro do recinto da fortaleza está a Catedral de S.Pedro e S.Paulo, que contém os túmulos do fundador da cidade, Pedro O Grande, e de Catarina A Grande, além de outros. É aqui que se encontra também a Cripta dos Romanoff, com os túmulos do czar Nicolau II e sua família, assassinados na altura da Revolução Comunista, a 17 de Julho de 1918.
Uma das particularidades desta Catedral é a Torre Sineira, com uma agulha que atinge os 125 metros de altura. Esta agulha termina numa ponta dourada e tem um cata-vento em forma de anjo, com uma Cruz, , que simboliza a vitória da Rússia na Guerra do Norte.
Como se pode ver pela foto junta, o acesso à ponta desta agulha era extremamente difícil com os meios que havia na altura da sua construção. Sucede que anos mais tarde um temporal danificou seriamente o cata-vento e foi necessário proceder à sua reparação, mas não havia quem conseguisse subir até ali. Finalmente apareceu um homem corajoso que se ofereceu para executar aquele trabalho e, com muito dificuldade e muita audácia, subiu até ao topo e repôs as coisas no lugar.
Pedro, O Grande, ficou muito agradecido e mandou chamar o homem. Recompensou-o generosamente e mandou gravar o selo do czar na sua garganta. Assim, sempre que o homem desejasse beber, bastava dirigir-se a uma taberna e apontar o selo na garganta, para que lhe servissem graciosamente a bebida que pretendesse, por ordem do czar.
O gesto popularizou-se rapidamente em St. Petersburg e ainda hoje, sempre que alguém quer desafiar um amigo para um copo, não precisa falar: basta apontar com um piparote a sua própria garganta.
Com a velocidade a que hoje se propaga a informação, esta história vai chegando a todo o lado e, dizem as más línguas, quando o Carlinhos Costa, cofiando pensativamente a barba passa, sub-reptíciamente, a mão pela garganta, está sub-liminarmente a informar-nos que lhe apetece uma Sagres.
Será?...
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