sábado, 6 de setembro de 2008

Sábado

Tinha tomado o pequeno almoço às nossas (de Portugal) uma da tarde. À uma da tarde local, cinco de Portugal, deu-me fome. O hotel está mesmo em frente à praia e eu sabia que há um bom restaurante uns quinze minutos mais para lá. Saí de Havaianas, calções de rua e t-shirt e fui pela praia.
É Sábado e está cheia de gente, tudo sentado em cadeiras, acessoradas por mesinhas pequeninas de plástico, quase todas com garrafas de litro de cerveja e algumas com peixe grelhado ou outros comeres. Ninguém se deita na toalha na areia. Muito organizado. Há uns vendedores de música pirata que empurram uns carros com rodas, altifalantes de automóvel encastrados nas laterais, um auto-rádio e, suponho, umas baterias lá dentro. Separam-se pela praia para não se atrapalharem as músicas e tocam e vendem desde Eagles a Martinho da Vila. Está muito calor e tiro tudo menos os calções.
Chegado à zona do restaurante corto através da praia e entro pelas ruas de trás. O restaurante pratica preços que seriam normais para Portugal e tem bom aspecto. Está cheio e há muita gente à espera, gente normal, casais, grupos e famílias médias. Decido não esperar, sigo e entro numa tasca de comida para levar que tem umas mesas cá fora e está vazio. Peço arroz com frango de caril e uma cerveja. Está espectacular, é rápido e custa oito reais e meio, quatro euros.
Volto de novo pela praia. As pessoas estão em grupos alegres. Os vendedores de picolé, abacaxi cortado, codorna grelhada, pratos de fruta mista, cerveja, sucos, óculos escuros, colares ou cangas, têm uns carrinhos e um sininho que vão tocando para chamar a atenção. Não ouvi ninguém a gritar nem fui abordado por ninguém. Perguntaram-me as horas duas vezes. Há muitas crianças a brincar. Há miúdos em grupos, com papagaios de papel. Nenhum me pediu nada. Passei pelo hotel e não me apeteceu entrar logo, segui mais para lá até me cansar e voltei. As pessoas estão simplesmente ali, muito organizadas, parecem felizes, fazem-me feliz e são de todas as cores. Pensei num íman de frigirífico que está na casa da Catherine em Londres que diz “We South Africans are going to be the rainbow people of the world”. Os brasileiros ganham esse título na boa. De resto já nessa altura o tinham!
Quem viu este Recife reconhece-o mas também lhe nota grandes diferenças. Em Recife e nas pessoas. A classe média brasileira está melhor e é maior. Tem dinheiro para coisinhas especiais ao fim-de-semana e percebe a felicidade que aí reside. Sente-se o país a olhar e a andar para a frente. Aínda bem

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